So Close To What

So Close To What

Desde a infância, Tate McRae mal teve folga: aos 6 anos, ela começou a treinar dança, fechou um contrato com uma gravadora dez anos depois e foi indicada ao JUNO Awards de 2025. A produção da canadense multitalentosa seguiu o mesmo ritmo: seu terceiro álbum de estúdio, So Close To What (2025), foi lançado poucos meses após o fim da Think Later World Tour. “Sair em turnê durante um ano dá a sensação de que você está na estrada há séculos”, conta McRae ao Apple Music. “Caramba, estou fora de casa há uma vida.” No entanto, ela explica que usou esse tempo como uma oportunidade de aprendizado. “Quando você está no palco toda noite e se autoanalisa tantas vezes, se torna muito consciente de si e do que está acontecendo ao seu redor.” Ela passou a prestar mais atenção nos tipos de músicas que a inspiravam e nas batidas que faziam seus dançarinos e dançarinas ficarem um pouco mais, digamos, “indecentes”. So Close To What não é exatamente um álbum para a pista de dança – está mais para um pop visceral, perfeito para aquele tipo de coreografia que rende um show matador. Entre as referências de McRae se destacam nomes como Timbaland e The Neptunes, cujas produções fizeram os anos 2000 parecerem o futuro. Ecos do R&B que dominou as pistas na virada do milênio transbordam: “bloodonmyhands” recruta Flo Milli para um Miami bass retrô; já “Purple lace bra” está em algum lugar entre Love vs. Money (2009), de The-Dream, e Born to Die (2012), de Lana Del Rey – o que faz sentido, já que Emile Haynie, produtor do álbum de Del Rey, também figura nos créditos de McRae. Em “Sports car”, McRae e sua coautora Julia Michaels encontraram uma inspiração inusitada em um clássico de 2005. “Michaels estava louca para fazer uma referência a ‘The Whisper Song’, do Ying Yang Twins, e eu pensei: ‘Que viagem’”, ela revela. Mas, sem dúvida, a ideia deu certo. O segredo por trás do seu trabalho mais maduro até agora, como a própria McRae explica, foi uma sala de composição com forte influência feminina (incluindo Michaels e a compositora Amy Allen). “Quando se trata de música ou de encontrar uma perspectiva em diferentes situações, ninguém entende você tão bem quanto outra garota”, diz McRae. “Precisamos de outra garota para entender exatamente o que passamos e saber como é sentir aquilo para criar uma música. Quando estamos em uma sessão de composição, precisamos ser um único cérebro funcionando em conjunto. Se não for assim, o caos toma conta”, continua. “É tão libertador estar com outras garotas, poder falar sobre coisas que nos frustram tanto e, no fim, sair dali satisfeita e realizada.”